Diversidade ou homogeneidade de espécies

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Sou totalmente a favor de plantio com diversidade de espécies, principalmente em reservas florestais, áreas de recomposição vegetal, áreas de preservação permanentes, inclusive fazendo sempre que possível, reinterpretações de ecossistemas, como ensinou o nosso mestre Fernando Chacel em seu livro Paisagismo e Ecogênese.

Por outro lado, defendo fazer projetos paisagísticos que transmitam surpresas e emoções. Uma das formas de fazer isso é impactando a paisagem com florações significativas conseguida por grupos da mesma planta, em outras palavras, plantando grupos homogêneos de espécies.

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Plantios homogêneos no sistema viário de condomínios e loteamentos causam esse impacto desejado. Poder sentir a surpresa da floração, do colorido intenso ao virar a esquina, embora muitas prefeituras proíbam essa forma de plantio, alegando a obrigatoriedade do uso de diversidade de espécies.

Na minha opinião é uma pena pois as ruas acabam “virando paisagem”, usando uma expressão infeliz, mas corriqueira, para exprimir que a paisagem não é mais notada quando se torna frequente no dia a dia.

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Estive recentemente no Japão para ver as cerejeiras floridas. Na verdade, a minha curiosidade era saber por que isso atrai turistas do mundo todo, inclusive do Brasil que fica do outro lado do mundo.

Acontece que o Japão faz da floração das cerejeiras um grandioso evento.

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Evento social, cultural, mas principalmente econômico. Tudo gira em função delas: festas com atrações culturais, festivais, bolos, doces, compotas, sorvetes, roupas, decorações, etc. Tudo tem sakura, tudo está a venda.

São algumas espécies que variam um pouco o tom de rosa e apresentam pequeno intervalo de floração, plantadas em grandes conjuntos homogêneos por todo o país, principalmente nas cidades e nos pontos turísticos.  Como o Japão apresenta diferentes climas regionais, elas florescem em tempos diferentes. Osaka estava espetacularmente florida, em Tokio a floração já estava no final e nas regiões mais frias as flores estavam começando a desabrochar.

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Floração das cerejeiras em Osaka

Existe em japonês a palavra hanami, que significa o ato de admirar as flores e isso culturalmente é muito bem visto. Toda a mídia noticiou com destaque o imperador passeando pelos jardins do palácio, fazendo o hanamí. E vale lembrar que lá o imperador é bastante respeitado.

Voltei pensando na abundância das nossas árvores nativas que florescem espetacularmente. Na grande variedade de coloridos dos nossos ipês, cassias, quaresmeiras, eritrynas, paineiras, etc.  Quanto potencial desperdiçado para fazermos grandes acontecimentos em todo o ano!

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Ipês floridos

Mas talvez, exatamente por serem abundantes, não damos o valor que essas espécies merecem. E ainda, infelizmente nos proíbem de fazer com elas maciços maravilhosos.

Fotos: Algumas fotos foram retiradas do Google

benedito abbud assinatura

www.beneditoabbud.com.br 

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