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| “O arquiteto paisagista tem síndrome de Deus”, afirma Rosa Kliass |
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| Escrito por JOÃO FELIPE CÂNDIDO DA SILVA |
| Sex, 16 de Dezembro de 2011 17:43 |
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Rosa Grena Kliass, arquiteta paisagista, considerada uma das profissionais mais importantes na história do paisagismo brasileiro Rosa Grena Kliass nasceu na cidade de São Roque, interior de SP. Formada em arquitetura pela FAU-USP, em 1955, e pós-graduada em geografia e arquitetura, a arquiteta paisagista também participou de uma infinidade de cursos de especialização, sem contar os inúmeros prêmios recebidos ao longo de sua carreira. Rosa admite ser apaixonada pela profissão e afirma que sempre gostou de línguas, tanto assim, que considera-se como poliglota, já que tem fluência em português, italiano, espanhol, frânces, inglês e ainda consegue “se virar” no alemão. Ela define as suas viagens de estudo como uma das maiores contribuições para a sua carreira. “Tive a oportunidade de conhecer países de praticamente todos os continentes, onde pude visitar as agências governamentais, universidades, escritórios de paisagismo, conhecendo um vasto elenco de exemplos de paisagens naturais e de arquitetura paisagística”, relembra.
"Nunca houve preconceito no Brasil contra as mulheres, o que houve, foi a falta de inclusão das mulheres" De todos os seus inúmeros projetos, ela destaca o “Parque da Juventude”, localizado em SP. O espaço, de 240 mil m² foi ocupado durante muitos anos pelo presídio “Carandiru”. Para se ter uma ideia, todos os meses o parque chega a receber em média 80 mil pessoas, que o visitam em busca de lazer, esporte e cultura. Rosa costuma visitar, sempre que possível, os projetos de sua autoria e em um de seus passeios pelo “Parque da Juventude”, ela afirma ter presenciado um dos testemunhos mais emocionantes de sua carreira. “Encontrei um casal sentado no banco, cheguei perto deles e perguntei se eles estavam gostando do parque. O rapaz prontamente respondeu: “-Dona isso tinha que ter sido feito há dez anos”. Eu disse ok, tudo bem, mas hoje o parque está aí e vocês podem aproveitar não é mesmo? Ele respondeu: “-A senhora não entendeu. Eu quis dizer que se este lugar tivesse sido feito há dez anos, muito dos meus amigos não teriam escolhido o mal caminho”. Foi um dos depoimentos mais emocionantes que eu já vi”, relembra Rosa.
Rosa Kliass afirma que presenciou no Parque da Juventude (foto), em SP, um dos depoimentos mais emociantes de sua carreira profissional Com papel e uma lapiseira na mão (coisas de arquiteto) Rosa Kliass recebeu a reportagem do Paisagismo em Foco em seu apartamento, localizado na região central de SP, que segundo ela é o seu “Home - Office”. Durante uma hora e meia, de maneira afável e em meio a muitos sorrisos, ela falou sobre a sua formação, seus projetos e o processo de evolução do paisagismo aqui no Brasil. A seguir, os principais momentos de nosso bate-papo.
Com papel e uma lapiseira na mão, Rosa Kliass recebeu a reportagem do Paisagismo em Foco em seu apartamento Porque a senhora decidiu ser arquiteta? Essa é a pergunta mais difícil que alguém já fez para mim, porque nem eu sei responder. Até hoje eu não faço a menor ideia. Na época eu não conhecia nem um arquiteto. Eu estava com dezoito anos e não tinha dúvida de que eu iria para a universidade. Eu gostava muito de outras línguas, mas pensei que independente de qualquer coisa, eu teria que estudar línguas e eu realmente estudei [Rosa admite ser mais do que uma poliglota, já que ela tem fluência em italiano, português, espanhol, frânces, inglês e ainda consegue “se virar” no alemão]. Até pensei em fazer física, porém, acabei optando pela arquitetura. Naquela época, as mulheres que cursavam arquitetura de certa forma sofriam algum tipo de preconceito?
No Brasil nunca houve preconceito contra as mulheres, o que houve, foi à falta de inclusão das mulheres. Quando eu entrei na faculdade de arquitetura, já na primeira turma tinham quatro mulheres. Sempre tinha mulheres. Mesmo trabalhando nas obras, sempre fui tratada com muito respeito e a equipe sempre foi muito solicita. Fui absolutamente aceita sem problema algum. (Risos) O que motivou você a trabalhar com a arquitetura paisagística? Seriam as aulas do professor Roberto Coelho Cardoso e seu estilo “Californiano”? Absolutamente sim. Quando começaram as aulas do professor Cardoso, eu e algumas amigas tínhamos certeza que nós iríamos trabalhar com arquitetura paisagística. A senhora disse em uma entrevista que se existissem mais dez apaixonados pela profissão como a senhora, a história do paisagismo no Brasil seria bem diferente. Fale sobre essa sua paixão pela profissão e porque afirma que o arquiteto paisagista tem síndrome de Deus?
De que forma o paisagismo pode melhorar a qualidade de vida das pessoas? Desde o paisagismo residencial aos projetos de escala urbana. À direita (Parque da Juventude, SP), à esquerda (Fortaleza de São José, Macapá, MA) O que significa a profissão arquiteto paisagista? Significa a criação de espaços. Assim como a arquitetura cria espaços construídos, a arquitetura paisagística vai além, criando os espaços em geral, que consiste na paisagem. E o que é paisagem? É tudo aquilo que podemos ver. Eu deduzo que não existe mais a paisagem natural. De certa forma, todos os tipos de paisagem sofreram intervenções. Através da criação de espaços, o arquiteto paisagista tem condição de oferecer lugares saudáveis, locais agradáveis, direcionando a intenção que nós temos em determinada paisagem. A intenção é criar bem-estar para a população. Qual a intenção de um arquiteto paisagista ao projetar o jardim de uma residência? É saber o tamanho do lote. Será um lote grande ou um lote pequeno? Primeiro precisamos analisar o espaço disponível para realizar o trabalho. Depois nós temos que analisar a situação da família. São casados? Têm filhos? Quando se trata de um parque, por exemplo, devemos pensar na necessidade dos usuários. Quem é a população? O profissional tem que conhecer. Vale lembrar que fazer uma pesquisa pode ajudar muito. Como senhora define o seu estilo de trabalho e de que forma busca inspiração para elaborar os seus projetos?
Durante a entrevista, Rosa mostra uma revista estrangeira que a chamou de "Paisagista Rebelde" Primeiro que eu não tenho estilo. Sou uma senhora sem estilo (Risos). O que norteia o meu trabalho é algo que eu já disse em algumas palestras, que é a questão do significado. Eu acho que significado e caráter. Se um projeto não tiver significado e não tiver caráter, ele não é bom. Quando estive em Israel para realizar um trabalho, eu observei os projetos feitos naquele país, tive a certeza do quanto o projeto precisa ter caráter e significado. Sem isso, o projeto não é nada. Lá em Israel, pelos projetos que visitei, eu costumo dizer que se você tropeça em uma pedra, você pode achar que é uma pedra no meio do caminho, mas pode ter certeza que tem um significado, lá não tem uma pedra que não tenha significado. É isso que eu busco. Posso dizer que as minhas viagens também foram responsáveis pelas maiores contribuições para a minha carreira profissional. "O que norteia o meu trabalho é o significado e o caráter de um projeto" Rosa, a senhora já atuou de norte a sul do país. Qual - ou quais – projeto (s) de sua autoria que a senhora mais gostou? O Parque da Juventude, localizado em SP, recebe em média 80 mil visitantes por mês O Parque da Juventude, em São Paulo, é um projeto fantástico que aconteceu. O local abrigou durante muitos anos, o presídio conhecido como “Carandiru”, que foi desativado. O uso que ele está tendo é uma maravilha, já que ele é dividido em três grandes espaços: o Parque Esportivo, o Parque Central e o Parque Institucional. Eu tive um testemunho que sem dúvida foi um dos mais importantes da minha carreira profissional. Eu gosto muito de ir ao parque e ver a forma como ele está sendo usado. Atualmente, o ambiente produz uma sensação de paz, alegria, tanto que nós não colocamos grades nas quadras e nunca ninguém pediu para que elas fossem colocadas. Em uma de minhas visitas ao parque, encontrei um casal sentado no banco, cheguei perto deles e perguntei se eles estavam gostando de lá. O rapaz prontamente respondeu: “-Dona isso tinha que ser feito há dez anos”. Eu disse ok, tudo bem, mas hoje o parque está aí e vocês podem aproveitar não é mesmo? Ele respondeu: “-A senhora não entendeu. Eu quis dizer que se este lugar tivesse sido feito há dez anos, muito dos meus amigos não teriam escolhido o mau caminho”. Foi um dos depoimentos mais emocionantes que eu já vi. Outro testemunho que eu tenho de lá, foi um menininho pequeno muito bem vestido, com um sapatinho maravilhoso, com o cabelo todo bem cortado, com um brinquedo bacana, ele estava sentado na areia brincando com um menino que estava provavelmente com o short do irmão mais velho, com a camiseta provavelmente do pai, toda rasgada, sem sapato e estavam ali, juntos. Isso é convivência. Esse é o parque e as suas inúmeras possibilidades de convivência. De que forma a senhora avalia a evolução do paisagismo aqui no Brasil e o que precisa ser melhorado?
"Do ponto de vista profissonal da Abap, posso dizer que a ANP faz muita bobagem"
Eu acredito que o paisagismo teve uma evolução real muito grande. O fato de termos criado a legislação, mesmo que em certo momento, e ter obrigado as escolas de arquitetura a ter a cadeira de paisagismo, já foi uma vitória incrível. Naquele tempo o curso de arquitetura não tinha o módulo de arquitetura paisagística. Atualmente nós temos até o Lato Sensu de paisagismo em uma universidade do Rio de Janeiro. De fato houve uma grande evolução, mas falta muito ainda. Inclusive, neste momento, nós estamos diante de um embate, contra um projeto de lei que pretende regulamentar a profissão de paisagista, que não é a de arquiteto paisagista. E quem está liderando isto é a ANP (Associação Nacional de Paisagismo) e nós estamos tentando barrar isso. Nossa meta consiste na criação das escolas de arquitetura paisagística, independente das escolas de arquitetura. A graduação ainda não existe. Para ser médico, tem que fazer medicina, para se engenheiro, tem que fazer engenharia e para ser arquiteto paisagista, precisa fazer arquitetura paisagística. Essa é a meta! A ANP faz muita bobagem, do nosso ponto de vista profissional. Eles misturam viveirista com jardineiro. Eu tenho o maior respeito pelos jardineiros e viveiristas, aliás, a maior contribuição provavelmente que eu tive na minha profissão foi devido a um jardineiro, que atualmente é viveirista e chama-se Walter. Para ter o mercado, precisamos ter todo o sistema funcionando. Os profissionais precisam ser capacitados. A Abap associa apenas arquitetos que comprovem que estão aptos a atuar na profissão, por isso, nós garantimos profissionais com nível universitário. Na Alemanha, por exemplo, a arquitetura paisagística veio da agronomia, na Inglaterra, veio do urbanismo e da arquitetura.
Qual a sua dica para quem pretende ingressar na área? A primeira questão é fazer faculdade de arquitetura, não tem outro jeito. Com o diploma de arquiteto, você pode ter a sua placa numa obra, como arquiteto paisagista. A faculdade de arquitetura ainda é o melhor lugar para aprender as informações técnicas e as questões de desenho e percepção. Essa é minha dica!
Publicações - Livros - Rosa Kliass: desenhando paisagens, moldando uma profissão (Editora Senac – 2006) - Parques Urbanos da Cidade de São Paulo (Editora Pini – 1993) Principais projetos
A reurbanização do Vale do Anhangabaú, em SP, também foi um projeto de grande destaque na carreira de Rosa Kliass Plano Preliminar Paisagístico de Curitiba – PR (1965) Áreas Verdes Recreação para o Município de São Paulo (1968) Estudos de Áreas Verdes e Espaços Abertos da Cidade de Salvador – BA (1976) Plano da Paisagem do Município de São Luís – MA (2003) Projeto Paisagístico da Avenida Paulista – SP (1973) Reurbanização do Vale do Anhangabaú – SP (1981) Parque Halfeld – Juiz de Fora – MG (1979) Parque Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG (1979) Parque do Abaeté – Salvador – BA (1992) Parque de Esculturas – Salvador – BA (1996) Parque da Residência – Belém – PA (1998) Estação das Docas – Belém – PA (1998) Feliz Lusitânia, Forte do Castelo – Belém – PA (1998) Pátios do Museu de Arte Sacra – Belém – PA (1998) Centro de Gemologia, Presídio de São José – Belém – PA (2000) Parque Mangal das Garças – Belém – PA (2004) Parque da Juventude – São Paulo – SP (2003 – 2005) Parque do Forte – Complexo Fortaleza de São José – Macapá – AP (1999-2004) Parque do Vento – Salvador – BA (2008) Conjunto de Praças – Catanduva – São Paulo – SP (2007) PARQUE Memorial Madeira Mamoré – Porto Velho – RO (2007) Colégio Viscinde de Porto Seguro unidade IV – São Paulo – SP (2001) Laboratório Fleury – Projeto Horizonte – São Paulo – SP (1998-2000) Aeroporto Internacional de Brasília – Brasília – DF – 1995 Aeroporto Internacional de Belém – Belém – PA – 1998 Aeroporto de Congonhas – Edifício de Garagem – São Paulo – SP (2005) Imagens: reportagem Paisagismo em Foco / Divulgação |
| Última atualização em Sex, 20 de Janeiro de 2012 10:48 |
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Para ela, Roberto Burle Marx (foto) é sem dúvida o grande ícone do paisagismo. Assim como Burle Marx, Rosa Kliass também desempenhou – e ainda desempenha - um importante papel profissional de Norte a Sul do Brasil. Através de sua empresa (Rosa Grena Kliass Arquitetura Paisagística, Planejamento e Projetos), fundada em 1970, a arquiteta paisagista foi responsável pela elaboração de projetos para instituições privadas e governamentais, bem como áreas comerciais, industriais e habitacionais. “O paisagismo evoluiu muito nos últimos anos, porém, acredito que muito ainda precisa ser feito”, destaca.



(Risos) Eu acho que o arquiteto paisagista tem essa “síndrome de Deus” sim. Por quê? Porque nós criamos lugares. Essa é a nossa função: criar lugares. Sobre a minha paixão pela profissão, posso dizer que desde o começo foi algo muito forte. Em 1955, logo que sai da universidade, ninguém iria me chamar para fazer um trabalho de paisagismo. Sem contar, que nós não tínhamos praticamente nenhuma referência, a não ser o Burle Marx, que era do Rio de Janeiro. E é importante entender, que naquela época, o RJ era um mundo e SP era outro. Não existia comunicação, nós sabíamos que tinha o Burle Marx lá, porém, nossa maior referência acabava ficando por conta das referências internacionais. Em determinado momento, eu soube da existência uma organização internacional de arquitetos paisagistas, chamada IFLA (International Federation of Landscape Architects). Entrei em contato com eles e passei a ser membro individual. Um ano depois, eu fui para o Texas, nos EUA, para me encontrar com alguns profissionais “tops” do paisagismo. Conversei com muitos profissionais e discuti a possibilidade de abrir uma associação do setor no Brasil, porém, achava que seria inviável. Retornei ao Brasil e em 1975 fundei a Abap (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas) – presidida atualmente por






Comentários
Estudo Landscape Architecture nos EUA e trabalho nessa profissão há alguns anos. Percebe-se que há necessidade de elevada qualificação em artes, desenho, representação, história, poesia etc. Por isso vim complementar meus conhecimentos por aqui. A iniciativa da ANP é louvável e está motivando escolas locais a criar curso de graduação específico em Landscape Architecture, coisa que a ABAP não sentiu necessidade de fazer, já que arquitetos já possuem a parte legal da profissão, o CREA (que agora abandonaram para criar o próprio conselho). Obviamente apenas amar algum ramo de atividade não qualifica a pessoa para executá-lo bem, mas é um prerequisito essencial. No Brasil não há espaço para que isso aconteça na área de paisagismo. Como agrönomo vejo muita besteira criada por arquitetos paisagistas. A falta de integração das profissões também é uma grande falha no país e até aqui nos EUA, onde estudo.
Acho que o diálogo aberto deveria ser promovido, demonstrando real liderança de quem foram os precursores dessa profissão no país.
Sou Graduado em Paisagismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro
Faço de suas palavras as minhas...
A arquiteta Rosa Kliass, fundadora da Abap, afirmou em entrevista exclusiva ao Paisagismo em Foco, que pretende barrar através da justiça, o seu projeto de Lei. Do ponto de vista defendido por ela, apenas os arquitetos teriam formação suficiente para trabalhar com paisagismo. De que forma pretende resolver esta questão?
O fato de a disciplina de paisagismo ser ministrada ao longo de um ano na graduação de arquitetura e urbanismo – que por sua vez é de cinco anos – me parece extremamente importante e necessário para a adequada formação do arquiteto, pois este projeta edificações inseridas na paisagem. Estudantes de arquitetura recebem ensinamentos sobre estrutura e luminotécnica, não por isso são mais preparados para atuar na engenharia civil do que os engenheiros que recebem ao longo de 5 anos conhecimentos aprofundados e específicos em sua área. A grade curricular dos cursos superiores de paisagismo que serão criados deverá ser definida pelas universidades, pelo MEC e com o apoio da Associação que representar a categoria. Com certeza será infinitamente mais completa, aprofundada e específica em paisagismo do que o ensinado em outras graduações. Atualmente, existe o curso superior em Composição Paisagística da Universidade Federal do Rio de Janeiro – cujo patrono foi o Arquiteto Fernando Chacel falecido no ano passado e teve total apoio de Roberto Burle Marx, ambos ícones do paisagismo brasileiro. O curso tem 30 anos de existência, mas no ano passado foi avaliado e aprovado com ótima nota pelo MEC. Este curso sim forma paisagistas. Graduações em arquitetura formam arquitetos. O CAU permite que arquitetos atuem na área de paisagismo, mas são arquitetos, não paisagistas. Isto não será alterado com a aprovação da PL2043. Arquitetos continuarão podendo atuar na área do paisagismo, porém como arquitetos, que de fato são, não como paisagistas. Para serem considerados paisagistas precisarão de especialização. A PL2043 regulamenta a profissão de paisagista. A única questão que não podemos ser favorável é com a reserva de mercado.
"O arquiteto paisagista tem síndrome de Deus". Foi a melhor frase usada pela Rosa para expressar a profissão. Além de criar lugares, fazemos os sonhos dos clientes virarem realidade. Isso que é mais gratificante. Re-Criar os sonhos das pessoas!
Quanto ao parque das Esculturas é lindo, parabéns.
A título de provocação destaco: não seria muito difícil descobrir quem é quem quando o assunto é a “máquina produtora de bobagens na paisagem”. Afinal, bastaria correr os olhos nas ARTs assinadas pelo Brasil a fora para perceber quem anda assinando certas "bobagens" feitas na nossa paisagem. Portanto, a questão me parece bem maior que a colocada e sensivelmente de outra esfera discursiva!
Por hora, vale pensar: Quem dera a preocupação fosse de fato o que afirma a Sra. Kliass: a formação de um curso que trate de paisagismo. Como professor universitário que sou, tal afirmativa teria 100% do meu apoio. Todavia, se existe tal preocupação, suspeito que ela é de outra ordem e de um setor bem reduzido nas academias de arquitetura pois, em algumas delas, a disciplina de paisagismo é uma vaga lembrança. Não é da natureza do corpo discente da arquitetura pensar a paisagem pela paisagem sob o ponto de vista do paisagismo. Falo isso com pesar, pois como professor de Disciplinas de Paisagismo em Escola de Arquitetura por mais de seis anos, tive a oportunidade de ver na prática que esse é um fato reincidente. No caso de faculdades privadas por exemplo, a disciplina só existe por conta das demandas do MEC, quem é professor sabe disso. Até onde sei, não existem projetos para cursos de graduação em arquitetura paisagística no Brasil, infelizmente a razão é simples: as demandas de alunos talvez ainda estejam abaixo do esperado e, na esfera Federal é um trabalho hercúleo montar uma graduação. Quem é da academia sabe ao que estou me referindo. Nesse sentido, o paisagismo nas escolas de arquitetura, continuará por um longo tempo, ocupando àquela cadeira isolada ou no máximo surgindo, como um curso de pós-graduação, o que também não resolve o problema. Tomara que esteja errado e o curso já esteja aí despontando em instituições renomadas do país.
Nesse sentido, continuo suspeitando que as preocupações dos setores incomodados com o PL 2043, sejam de outra ordem e custo a crer que um grupo que não chega a 200 pessoas, com é o caso da abap, venha a ser um fiel na balança, e queira, como foi colocado na matéria “barra” o tramite da LEI. Estranho o termo utilizado. Cheguei a pensar que lia um texto de “um outro tempo”, aliás, um tempo também estranho, diga-se de passagem. O tempo em que vivo, a paisagem se define por tons mais democráticos, ela é avessa a um modus operandi que a inscreve a um só discurso, ela é múltipla por definição e por natureza. Ao considerar as dimensões continentais do Brasil e a complexidades de seus ecossistemas, a intenção de barrar o trâmite dessa Lei, no mínimo é extravagância que não cabe mais no espaço-tempo que vivemos neste país.
Assim, ficam questões para nós pensarmos: Desde quando a paisagem se tornou um território privativo de um grupo profissional? A discussão não deveria ser quais os limites de atuação de cada grupo que trabalha com a paisagem? O que na prática seria: como juntar disciplinas e através dessa interação desenhar a paisagem?
No Rio de Janeiro foi recentemente organizado o GT – RIO PAISAGISMO/EBA-UFRJ, grupo de trabalho de alunos e graduados pelo curso de paisagismo da Escola de Belas Artes. Estamos discutindo e movimentando a questão aqui no Rio. Profissionaliza r o Paisagismo é um processo natural e a meu ver é só uma questão de tempo. Acredito que isso é muito positivo e quem sabe assim, daqui há algum tempo eu, a Sr. Kliass e Todos os brasileiros, teremos a felicidade de ver “menos bobagens” desenhadas na paisagem.
Rubens de Andrade - Prof. EBA/UFRJ
Ao invés de juntar-se a causa e dar sua prestimada ajuda ao engrandecimento do paisagismo no país, vemos ainda que, com toda a sua experiência, continua com este discurso retrógrado. A regulamentação da profissão de paisagista, é a realização de um sonho de todos aqueles que trabalham nesta profissão apaixonante.
Com todo respeito á pessoa e a história da Arquiteta e Urbanista Rosa Kliass. Antes de usar termos ditatoriais como “barrar”, ela deveria ler toda a resolução da Proposta de Lei.
Breve resumo. A PL 2043 regulamenta a profissão de Arquiteto Paisagista, e reconhece como paisagistas pessoas formadas em áreas afins que se propõem a continuar o estudo acadêmico (mestrados, pós) na área de paisagem. São os profissionais formados em: Biólogos, Arquitetos Urbanistas, Engenheiros Florestais, Agrônomos, Artistas Plásticos. Formados até 5 anos após a data de homologação da Lei. Após esse tempo de carência, os novos profissionais terão que ser formados em Arquitetura da Paisagem.
O que a PL 2043 afirma é: Arquiteto Paisagista é quem se forma em Arquitetura da Paisagem. Quem se forma em arquitetura e Urbanismo é, Arquiteto Urbanista.
Infelizmente no Brasil só temos uma instituição voltada ao Paisagismo á UFRJ. Um exemplo do nosso atraso é; nos EUA a profissão é reconhecida desde 1901 lá existem 64 (sessenta e quatro) instituições que oferecem o curso de ARQUITETURA DA PAISAGEM ou Landscape Architecture. Entre elas Harvard, University of Washington, University of Massachusetts.
Enquanto no Brasil algumas pessoas continuam a defender que a Arquitetura Paisagística deve ser feita exclusivamente por Urbanistas. Como? Durante a graduação temos no máximo duas disciplinas. Isso se não for uma instituição particular.
Primeramente é indiscutível a importância de Rosa Kliass para o paisagismo brasileiro, mas é lamentável que os arquitetos paisagistas da ABAP se recusem a discutir o projeto de lei 2043/11 com os diversos setores interessados (inclusive viveiristas e jardineiros que fazem parte do mercado e também podem ser incentivados a um aprimoramento profissional).
Se de fato o a meta da ABAP é criar uma graduação em arquitetura da paisagem o que os impede de dialogar com a ANP que compartilha do mesmo objetivo?
A restrição da profissão pra os gloriosos arquitetos paisagistas é a única explicação que eles tentam não deixar claro.
Ela mesma menciona que ninguém a contrataria quando recém-formada e isso revela que todos os profissionais se formam bastante crus, sejam arquitetos, biólogos, engenherios agrônomos, e a paixão pelo trabalho foi o que a motivou a buscar continuamente pela excelência técnica, estética, funcional. O mesmo aconteceu com Roberto BurleMarx e com uma série de profissionais de áreas muito diferentes e que apresentam em seus portifólios trabalhos exemplares.
Infelizmente a Rosa Klias e seus colegas a Abap insitem em não reconhecer a realidade do mercado de paisagismo brasileiro, um mercado plural que está em crescimento e precisa abrir a questão de forma a não excluir profissionais experientes e tampouco àqueles que buscam apaixonadamente seu espaço e que por falta de uma graduação específica, buscam aprimoramento profissional contínuo.
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