|
Escrito por Raul Cânovas
|
|
Qui, 19 de Janeiro de 2012 00:09 |
|

Há quarenta anos decidi morar aqui, no Brasil, ou para ser mais exato com as palavras, viver neste país; já que viver, significa aproveitar nossa existência e não, apenas, ocupar um espaço como é o caso daqueles que habitam ou residem num lugar qualquer. Meu sonho era usar as plantas tropicais que, até esse momento, conhecia de forma bastante limitada; ansiava por tê-las nos meus projetos e dessa maneira criar jardins menos sisudos e mais bucólicos.
Parecia-me fantástica a ideia de poder embrenhar na Mata Atlântica e ver de perto a flora mais diversificada do planeta, sabia que os biomas brasileiros nutriam 56.000 espécies nativas, um número colossal se comparado ao de outras regiões dos cinco continentes; nessas florestas, no cerrado, na caatinga e em outras formações complexas e litorâneas vivem 11% de todos os pássaros do mundo, além de 37% dos répteis, 61% dos anfíbios e 35 % dos primatas; mas não é só, 3.000 peixes diferentes são amparados pelos rios deste país.
Pena que esses mesmo cursos d’água estejam hoje muitas vezes, com suas margens assoreadas e suas águas poluídas; só no Estado de São Paulo foram devastadas 70% das florestas de Mata Ciliar, algo assim, como 120.000 km de bordas d’água destruídas (três vezes a circunferência da Terra); para recuperá-las seria necessário o plantio de meio milhão de mudas, que crescem, habitualmente, em terrenos periodicamente inundados.
Mas o que um paisagista tem a ver com tudo isso? Pois é, na época em que, William Kent, Lancelot Brown e Humphry Repton planejavam enormes áreas verdes para o prazer e deleite dos ingleses, o compromisso era esse mesmo e estava determinado pelos valores hedônicos de uma sociedade neoclassicista que contava com uma elite poderosa e abastada.

Hoje, decorridos duzentos e poucos anos, o profissional que projeta espaços ao ar-livre tem uma dívida com a cultura ambiental da região onde irá trabalhar; a estética é relevante sim, porém, mais importante do que ela é acudir as necessidades urgentes e indispensáveis das comunidades submetidas ao lado perverso de uma globalização que não hesita em apagar as tradições, os hábitos e a história de uma América Latina que ainda lambe suas feridas coloniais.

Abastecer a terra com as sementes das nossas árvores, para que elas, através de suas sombras energéticas, escorem uma sociedade um tanto cansada de tanta tecnologia... Este é meu desejo.
EVENTO PARA AGENDA
COSTA RICA PARA PAISAGISTAS*
Quer vir comigo agora em março?
Neste pequeno país (caberia cinco vezes no Estado de São) vive 5% da biodiversidade do planeta. Mais de 1.000 orquídeas coabitam com árvores colossais, samambaias e outras 10.000 espécies tropicais.
Lá visitaremos jardins, viveiros de mudas, reservas florestais, contando com a colaboração, entre outros, do Arquiteto Alberto Negrini, fundador e presidente da ASOPAICO - Asociación de Paisajistas de Costa Rica.
Descrição da Viagem
- Duração da viagem: 7 dias
- Saída dia 11 e retorno dia 18 de março
- Vagas: Apenas 20 pessoas.
- Disponibilidade de vagas: SOMENTE ATÉ DIA 27 DE JANEIRO
- **Valor da viagem: USD 3.267 (Dólares americanos)
- Condições de pagamento: 30% de sinal, saldo em 9 vezes podendo ser em Cheque ou em Cartão de Crédito
**(Inclui aéreo, taxa de embarque, hotel, refeições, passeios, visitas e palestras. Após o dia 27 de janeiro este valor sofrerá alterações.) Obs: Esta viagem EXIGE a vacina contra febre amarela em dia.
Reservas e informações com Beatrice: NASCIMENTO TURISMO Telefone: (11) 3156-9956 / Fax: (11) 3156-9940 E-mail:
Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
|
|
Última atualização em Qui, 19 de Janeiro de 2012 00:14 |
|
Escrito por Raul Cânovas - Paisagista
|
|
Seg, 02 de Maio de 2011 19:58 |
|
Pergunto: até que ponto nós os paisagistas, somos obrigados a sermos criativos? Por que em cada projeto precisamos desenhar um jardim único e incomum?

Bem, seguramente porque escolhemos uma atividade que nos obriga a produzir a partir de um vazio. Temos que dar existência a algo que antes não aconteceu; onde não era nada. Esse vazio esse espaço tem, por assim dizer, uma vocação, assim como, uma tendência natural para receber uma determinada vegetação, seja pelo tipo de solo ou pelo clima onde está localizado. O terreno baldio que receberá esse jardim deverá ter uma personalidade que a diferencie das demais; será uma construção viva que irá representar a história e o folclore do lugar geográfico, onde está localizado; não seria coerente reproduzir uma paisagem francesa no sertão pernambucano ou, um jardim Zen budista em um barzinho da pauliceia. No primeiro exemplo, porque estaríamos negando a rica floresta de Bonito, com suas cachoeiras deslumbrantes; o Vale do Catimbau e sua flora característica e as praias de Porto de Galinhas que serviriam de inspiração, sempre que pensemos em algo impar e genuinamente pernambucano. Se vamos projetar uma área verde em nesse estado, porque não buscar inspiração nesses locais citados? Por que pressupor que aquilo que vem de fora é mais chique? Para imitar o estilo francês precisaríamos ser como eles, sentir como eles. Os jardins de Versalhes, de Vaux-le-Vicomte e do Château de Chenonceaux são o resultado de uma época onde o barroquismo impunha traçados cheios de artifícios e plantas excessivamente podadas, para demonstrar o poder do reino sobre tudo e sobre todos, inclusive sobre a natureza. Será que, desde o ponto de vista socioeconômico, isto tem a ver com a gente?
No segundo exemplo nos deparamos com algo deplorável que, infelizmente, é bastante comum, e é essa coisa de reproduzir um jardim pleno de misticismo, em um local aonde as pessoas vão para se divertir; ninguém frequenta um barzinho para meditar, pessoa alguma vai alcançar o satori, que é o estado de iluminação profundo e verdadeiro do budismo, com um copo de cerveja na destra. Paisagismo também é cultura, e o respeito é uma prática social inerente a ela. Imaginou entrar num botequim em Tóquio e encontrar símbolos cristãos fazendo parte da decoração? Pois é, não dá para supor um mau gosto desses.
Voltemos ao tema. É impossível dissociar criação de originalidade e esta originalidade não significa fazer sempre jardins singulares, mas sim, sermos singulares utilizando a matéria prima essencial: a planta. Um projeto paisagístico impar é notável quando expressa exatamente o pensamento do criador, que representou o aparecimento de algo único, considerando o pendor desse espaço, sua situação e as circunstâncias que permitiram delinear uma paisagem de produção pessoal.
O paisagista brasileiro precisa declarar sua independência. Assim como em 1822 nos emancipamos do colonialismo português, hoje é necessário libertarmos das ideias que nos chegam de fora; devemos vasculhar fontes de informação observando: nossa flora, nossos hábitos, nosso folclore pleno de personagens, valorizando nosso Curupira e deixando de lado celebrações que não tem nada a ver com a gente, como é o caso do halloween.

É uma questão de autoestima. Como não sentir estima pela flora mais rica do planeta? Como não sentir estima pela arte de nosso país?
Experimente o gostinho de nossa paisagem.
Contato:
http://www.raulcanovas.com.br - http://www.jardimdasideias.com.br
|
|
Última atualização em Seg, 02 de Maio de 2011 20:09 |
|
Escrito por Raul Cânovas - Paisagista
|
|
Sex, 25 de Março de 2011 01:46 |
|
“Impossível exprimir os sentimentos que dominam o observador enquanto os seus olhos contemplam o cenário lindamente variado que se apresenta a entrada do porto, cenário talvez sem rival na face da terra, e em que a natureza parece ter exaurido todas as suas energias. Tenho visitado desde então muitos lugares famosos pela beleza e magnificência, mas nenhum deles me deixou na mente igual impressão. Até onde à vista alcança na baia, belas ilhas verdejantes e cobertas de palmeiras se viam surgir da espessura, enquanto as colinas e altaneiras montanhas que a circundam, douradas pelo sol poente, formavam uma moldura adequada a tal quadro. À noite as luzes da cidade produzem belo efeito, e quando a brisa da terra começou a soprar, trazia em suas asas o delicioso aroma da flor da laranjeira e outras flores perfumosas, que me deliciavam tanto mais por haver estado tanto tempo privado da companhia das flores. Ceilão tem sido decantada pelos viajantes por causa de suas especiarias odoríferas, mas eu já entrei duas vezes em suas praias quando soprava a brisa de terra sem experimentar nada que se comparasse as doçuras que me acolhiam a chegada do Rio”
George Gardner, Superitendente dos Jardins Botânicos Reais, de Ceilão.
O autor deste texto, escrito no dia 22 de julho de 1836, quando o navio em que viajava, se preparava para ancorar na Baia de Guanabara, ficou no nosso país até 1841 e como naturalista fez uma série de pesquisas botânicas, patrocinadas pela Rainha Victoria, que iniciava seu reinado naquela época.

|
|
Última atualização em Seg, 02 de Maio de 2011 20:10 |
|
Escrito por Raul Cânovas - Paisagista
|
|
Qui, 17 de Fevereiro de 2011 19:50 |
|
Sinceramente, não imagino qualquer tipo de entretenimento ou de lazer na Roma Antiga, na era Victoriana ou mesmo, recentemente, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, nestas terras tupiniquins. Sei que nesses períodos históricos, muita gente se dava “bem” podendo praticar uma ociosidade crônica, graças à posição social ou a realeza a qual pertenciam. Mas não é deles que estou falando e, sim do pobre proletário que vivia de um salário miúdo e, também, dos camponeses que por serem carentes de urbanidade não tinham a menor idéia sobre passatempos ou descansos.

|
|
Última atualização em Sex, 25 de Março de 2011 02:13 |
|
Escrito por Pedro Henrique
|
|
Sex, 10 de Dezembro de 2010 18:31 |
|
Tujas, pinheiros, ciprestes e outras coníferas do Hemisfério Norte, especialmente aquelas que compõem a flora alpina, na Europa, são as preferidas dos brasileiros.

|
|
Última atualização em Qui, 17 de Fevereiro de 2011 19:51 |
|
Escrito por Raul Cânovas
|
|
Seg, 04 de Outubro de 2010 20:31 |
|
Por Raul Cânovas

Há momentos em que gosto mais de árvores do que de pessoas; elas são inconscientes e inconseqüentes, até diria que, um pouco freudianamente, vivem a partir da semente um mundo de sonhos, ignorando o tempo e o espaço, fincando suas raízes pelo puro prazer de bolinar o barro e parindo folhas que, mais tarde, poderão sangrar uma seiva poluída e desnutrida.
|
|
Última atualização em Qui, 17 de Fevereiro de 2011 19:54 |
|