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O NOVO PAISAGISTA PDF Imprimir E-mail
Escrito por Sidnei Harada   
Qua, 11 de Agosto de 2010 11:16

É com muita satisfação que acompanho a evolução do profissional de paisagismo nos últimos 25 anos, de “jardinista” passou a ser “Paisagista” (com “P” maiúsculo mesmo), pois houve uma clara valorização do profissional no mercado. O paisagista atualmente é responsável por criar soluções em paisagismo com sustentabilidade.

Quando despertei o interesse pela área de paisagismo, ainda na faculdade de agronomia, há 25 anos, no paisagismo não havia muita preocupação com o meio ambiente e o termo sustentabilidade era inexistente.

Para exemplificar, logo no início da carreira, fui visitar um potencial cliente na Serra da Cantareira, dono de um imóvel em terreno com inclinação elevada e com grande número de árvores. A idéia dele era fazer platôs para aproveitar melhor o terreno, removendo praticamente toda a vegetação nativa, a qual ele chamava de “mato”, substituindo-a por “plantas de jardim”.

Teríamos de fazer uma terraplenagem para construir os platôs, que fatalmente iria resultar em erosão e contribuir para o assoreamento de rios e lagos, além de soterrar a camada mais superficial e fértil do solo. Seria necessário melhorar a fertilidade do solo, levando caminhões com terra preta, extraída de algum local que foi degradado, e aplicar fertilizantes industrializados que, para serem produzidos, utilizaram matéria prima mineral extraída de algum local, consumiram energia e provavelmente lançaram resíduos no ar e na água.

Substituiríamos a grande massa de vegetação existente por outra de menor volume, diminuindo a capacidade de purificação do ar, não só pelo menor consumo de CO2 e menor produção de oxigênio, mas também pela redução da umidade, que auxilia na precipitação das partículas de poluição suspensas no ar.

Outra providência “necessária” seria impermeabilizar boa parte da área com pisos, para ter áreas de circulação mais fáceis de limpar e instalaríamos um sistema de drenagem para descartar todo o excesso de água que caiu sobre o piso.

A vegetação teria pequena variedade de espécies para deixar a paisagem mais homogênea, organizada e “bonita”.Plantaríamos então tuias, buxinhos e árvores exóticas com flores, mas sem frutos, pois estes poderiam manchar os pisos, além de atrair pássaros que contribuiriam para sujar os locais com suas fezes.

Logo depois da implantação, seria necessário comprar aquecedores e aparelhos de ar condicionado, pois as árvores que serviam como condicionadores naturais de temperatura, protegendo a construção dos ventos frios do inverno e que davam sombra e amenizavam o calor do verão, foram removidas.

Na manutenção, haveria necessidade de maior quantidade de adubos minerais, diferentemente da reciclagem natural de nutrientes num ambiente em equilíbrio. Estes adubos minerais, por serem mais solúveis poderiam ser levados para rios e lagos, promovendo a maior proliferação de algas, causando desequilíbrio.

O controle de pragas e doenças também seria problemático, pois a baixa variabilidade de espécies favorece o aumento da população de fungos, bactérias, pulgões, cochonilhas, etc. As ervas daninhas também seriam bem mais frequentes, pois com a remoção da vegetação nativa, aumentaria a insolação e as sementes de ervas daninhas seriam estimuladas a germinar, crescer e disseminar. Com isso, seria necessária uma maior quantidade de defensivos químicos, que poderiam poluir e prejudicar as áreas próximas.

Estas atitudes irresponsáveis de danos ambientais e desperdício de energia e recursos parecem absurdas, mas ainda são frequentes, porém, felizmente as pessoas estão se conscientizando cada vez mais de que os recursos naturais são limitados e que ações de sustentabilidade são importantes para garantir às futuras gerações, um mundo melhor e mais equilibrado.

Dentro deste novo contexto, o paisagista tem um papel importantíssimo, pois ele pode propor soluções que ajudem a preservar o meio ambiente e economizar recursos e energia. Ele tem de ter consciência ecológica, não apenas em grandes áreas, mas também em pequenas ações, que no conjunto vai fazer uma grande diferença ao meio ambiente.

Propor maior porcentagem de áreas permeáveis, preservar ao máximo a vegetação já existente, ter maior quantidade e variedade de espécies vegetais nativas, utilizar materiais reciclados e prover aproveitamento de águas pluviais são algumas das atitudes mínimas que devemos considerar nos projetos de paisagismo.

Além destas ações básicas, podemos pensar em outras, que hoje ainda são consideradas ousadas, mas que estarão cada dia mais presentes nos projetos de arquitetura e paisagismo, tais como estas idéias apresentadas nas reportagens a seguir:

Telhados Verdes

Telhados Verdes

Telhados com água

Telhasdos com água

Casa Subterrânea

Casa Subterrâne

Última atualização em Qua, 13 de Abril de 2011 18:53
 


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