Os jardins da CASACOR 2026 mostram como a natureza pode curar, educar e transformar
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Confira os jardins da CASACOR São Paulo 2026
A CASACOR São Paulo 2026 apresenta uma edição que convida o público a desacelerar e se reconectar com o que é essencial. Em sua segunda passagem pelo Parque da Água Branca, a mostra propõe uma experiência profundamente ligada à natureza, ao bem-estar e às relações humanas, traduzindo o tema “Mente e Coração” em um percurso que integra arquitetura, paisagismo, design, cultura e afetividade. Confira os jardins dessa edição abaixo:
FAVARO ARQUITETOS - GALERIA MUXARABI
Ao redor dos casarões, o cercamento emprega 48 chapas metálicas. Elas são autoportantes – para que fiquem de pé, só precisam ser instaladas em zigue-zague e fixadas em sapatas de concreto com 20 cm de altura (as quais atendem à prerrogativa de apenas se sobrepor ao piso). Além desse invólucro, os arquitetos planejaram uma galeria de entrada com quase 20 m de comprimento, coberta e levemente labiríntica, montada com os mesmos muxarabis.

A disposição garante jogos de luz e sombra em um pórtico que faz a transição entre a área idílica do Parque e o espaço expositivo. O padrão dos painéis foi selecionado entre as opções do catálogo do fornecedor por responder bem a um critério técnico decisivo. Como cor de acabamento, vingou o corten, que harmoniza com o entorno. O cercamento exigiu outras soluções, ora para encobrir pontos sem interesse visual, ora para acompanhar a topografia. Os trechos correspondentes às áreas técnicas e de serviço levam painéis cenográficos de madeira, revestidos de tecido num tom que lembra o do aço corten. Onde o solo é mais irregular, veem-se gradis autoportantes – facilmente adaptáveis aos desníveis –, com lona perfurada. Encerrado o evento, os primeiros serão reaproveitados ou irão para reciclagem, com doação do tecido para ONGs. Já os gradis alugados retornam ao fornecedor para reutilização e os painéis metálicos são devolvidos ao fabricante para comercialização.

ANA LUI E KAREN MARINI - JARDIM RESPIRO

Com 300 m², este jardim dá início à jornada pela mostra. As paisagistas Ana Lui e Karen Marini adotaram uma curadoria botânica que privilegia espécies brasileiras pouco usuais, como orelha-de-onça e tataré, dispostas sob princípios do paisagismo naturalista contemporâneo, que valoriza ecossistemas locais. A fim de reduzir intervenções e respeitar a dinâmica do solo, a dupla não tocou na base do terreno nem interferiu na drenagem original. O projeto inclui um espelho d’água, a escultura Geometria da Alma, de Luhly Abreu, e um meliponário (conjunto de casinhas destinadas à criação de abelhas sem ferrão).

PAM FACCIN ARQUITETURA PAISAGÍSTICA - CONHECER PARA PRESERVAR

Esta praça-jardim de 275 m² descortina a complexidade da Mata Atlântica. “A experiência busca despertar o entendimento sobre o bioma. Depois, vem a conexão emocional com ele”, diz a paisagista Pam Faccin. O piso drenante hexagonal, colocado sobre uma camada de brita, cria um mosaico no caminho, repleto de vegetação nativa. Seguindo diretrizes do Parque, as espécies estão em vasos – muitas vezes imperceptíveis porque cada planta cobre o cachepô da anterior ou por causa da forração com casca de pínus. Com imagens da flora e avifauna brasileiras, o painel Túnel da Biodiversidade reitera a dimensão educativa.

MARIA FERNANDA MARQUES PAISAGISMO - DA TERRA AO SOLO
Um portal de cobogós assinala a chegada a este jardim de 330 m², que leva à tiny house vizinha e a mais duas áreas externas antes de desembocar na entrada monumental do primeiro casarão. O projeto nasceu após harmonização prévia do terreno de acordo com a medicina do habitat – daí a presença de três rochas maiores em locais estratégicos. Colmeias do artista João Machado reiteram o papel das abelhas nativas na manutenção da biodiversidade, enquanto totens da série Verdades, de Carol Ambrósio, ampliam a relação entre arte e paisagem. No alpendre, a paisagista dispôs memórias e fragmentos de sua trajetória.

KAWAI PAISAGISMO - JARDIM IKIGAI
O conceito japonês ikigai se traduz como aquilo que faz a vida valer a pena. No contexto deste projeto, assinado pelo paisagista Vitor Kodama, o termo representa um espaço onde técnica, natureza, afeto e propósito convergem. Distribuídos em uma espécie de linha de frente, totens de 50 x 75 cm estruturados com madeira plástica e revestidos de pedra, espelhos e vegetação estabelecem jogos de reflexos – entre as pessoas e o entorno, mas também de cada um consigo mesmo. Com alturas entre 2 e 3 m, esses pilares pontuam o deque, por sua vez tratado com shou sugi ban, método milenar de carbonização controlada. Já a tradição familiar aparece nos ikebanas de Lucia Kodama.

BIA ABREU PAISAGISMO - JARDIM ONDE A MENTE POUSA

O recanto de 200 m² entende o paisagismo como ferramenta para praticar a atenção plena e, assim, alcançar o equilíbrio entre mente, corpo e coração. Daí suas diferentes ambiências além do pátio, como a academia com equipamentos produzidos artesanalmente no Piauí e o conjunto formado por spa, ducha externa e solário. Canteiros em camadas, aromas naturais e a presença de água, pedra e madeira constroem uma atmosfera sensorial, bem como o espelho de moldura orgânica, já uma marca registrada da paisagista. O piso de cacos de pedra são tomé e arenitos irregulares celebra a imperfeição dos vestígios do tempo.

ESTÚDIO MUSGO - REFÚGIO FLEURY

Divisor do circuito de visitação, o jardim assinado pelo paisagista Denis Bessa e sua equipe se coloca como um intervalo sensorial. Provocar pequenos deslocamentos na atenção dos passantes – por meio de contrastes entre as texturas das plantas ou mesmo a variação da incidência de luz sobre elas, por exemplo – dispara uma espécie de reorganização pessoal. A paisagem de 270 m² tira partido de figuras geométricas que se desdobram em recortes no deque de garapeira, em uma linguagem ritmada e precisa. Espalhados pelo caminho, há espelhos de Tomas Graeff e poltronas de balanço Astúrias, de Carlos Motta.

PEDRO RABELAIS PAISAGISMO - ENTRE FOLHAS
Neste jardim de 95 m², o paisagista carioca Pedro Rabelais segue a premissa de que o lar é o primeiro território de cura. O projeto nasceu da geometria do espaço, que fica em uma esquina, e o transformou em ponto de encontro. “O vértice se tornou o coração da área”, revela. A partir daí, dois trechos de vegetação se irradiam em direção aos ambientes vizinhos, criando uma sensação de continuidade. Espécies como a palmeira-leque e o jasmim-manga, harmonicamente organizadas, resultam em uma composição frondosa. Para a manutenção, o profissional prevê apenas materiais orgânicos e água de reuso. Depois do fim do evento, todas as plantas serão reutilizadas.

ALEXANDRE GALHEGO PAISAGISMO - CLAREIRA NA MATA

O jardim do paisagista Alexandre Galhego surge ao redor de uma imponente figueira do Parque da Água Branca. Assumida como organizadora da área de 285 m², a anciã convive agora com vegetação predominantemente nativa, disposta em vasos sobre o deque elevado – medidas que preservam o solo e asseguram a reversibilidade da intervenção. Painéis de biribas de madeira atuam como filtros visuais e garantem uma experiência introspectiva ao público, que pode desfrutar dos recantos com mobiliário aconchegante e lareiras ecológicas, e nutrir-se da sombra da velha árvore, do som dos pássaros e do contato com o verde.

ESTÚDIO CARLOS FORTES - ILUMINAÇÃO DAS FACHADAS E ÁREAS EXTERNAS
Ao anoitecer, praças, jardins e fachadas dos prédios que abrigam a mostra reluzem graças ao projeto luminotécnico de Carlos Fortes, arquiteto especializado em iluminação, e Débora Espósito, sua sócia. “O objetivo é integrar as intervenções realizadas pelo elenco ao conjunto arquitetônico e paisagístico do Parque”, comenta ele. O tom amarelo-ocre das paredes fica ainda mais vivo com a luz das lâmpadas de led de baixa temperatura (1 800 K) e índice de reprodução de cores (IRC) acima de 90%, que também atende aos parâmetros relacionados ao baixo consumo de energia e à proteção dos animais que habitam o entorno.

Serviço
A 39ª edição da CASACOR São Paulo será realizada entre 02 de junho e 09 de agosto, com funcionamento de terça a domingo, incluindo feriados, sempre das 11h às 22h. A entrada no Parque da Água Branca (Rua Dona Ana Pimental, 37) é permitida até as 20h, enquanto a bilheteria presencial e o acesso à mostra funcionam até as 20h15. Em dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, os horários poderão sofrer alterações.
O acesso mais próximo para quem optar pelo transporte público é pela estação Barra Funda, da Linha 3-Vermelha do metrô. A portaria 4 do Parque da Água Branca está localizada a cerca de 10 minutos de caminhada da estação.
Os ingressos poderão ser adquiridos pela bilheteria online, pelo aplicativo oficial da CASACOR, disponível para Android e iOS, ou presencialmente na mostra. Crianças de até 10 anos não pagam mediante apresentação de documento comprobatório. Menores de 14 anos devem estar acompanhados por um responsável. Estudantes, idosos, professores e pessoas com deficiência têm direito à meia-entrada mediante comprovação.
De banheiros com cabines acessíveis a rampas e circulação livre para cadeiras de rodas, a acessibilidade segue como uma das palavras-chave da CASACOR São Paulo. Em 2025, o evento recebeu, pelo terceiro ano consecutivo, o Selo de Acessibilidade da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), reforçando o compromisso da mostra com uma experiência mais inclusiva e confortável para diferentes públicos.
O evento não é pet-friendly. Devido à natureza contemplativa da mostra e ao alto fluxo de visitantes, não é permitida a entrada de animais, exceto cães-guia e cães de apoio emocional.
A CASACOR São Paulo 2026 tem apoio da Lei Rouanet e Vale+ Cultura, com Patrocínio Master Deca; Patrocínio Coral; Patrocínio Local Duratex, Brastemp e Mercado Livre; Banco Oficial
Itaú; Carro Oficial Denza; Apoio Local Portinari; Escola Oficial Senac; Parceira de Reparos e Manutenção Porto Serviço; Café Oficial Orfeu; Fornecedor Oficial SABESP; Cerveja Oficial Stella Artois; Media Partner Eletromidia; e Hospedagem Oficial Noon. Realização Editora Globo e Ministério da Cultura.
Bilheteria digital: https://casacor.abril.com.br/pt-BR/mostras/sao-paulo-2026
Valores dos ingressos: De 02/06 a 27/07, terça a domingo e feriados – R$ 141,00 (inteira) e R$ 70,50 (meia-entrada). De 28/07 a 09/08, terça a domingo e feriados – R$ 161,00 (inteira) e R$ 80,50 (meia-entrada).
Meia-entrada
- Idoso a partir de 60 anos.
- Estudante, apresentando documento válido com foto ou comprovante de pagamento.
- PCD (pessoa com deficiência) e seu acompanhante (conforme a Lei nº 12.933/13).
- Professor da rede pública ou privada, apresentando documento válido com foto.
Promoção de pré-venda não válida para meia-entrada. Comprovação de meia-entrada será exigida na entrada.
Importante: Gratuidade para crianças com até 10 anos de idade, mediante comprovação.
Um mesmo CPF pode comprar no máximo 10 ingressos.
Venda para grupos: Compras acima de 10 ingressos ou por CNPJ, envie e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Estacionamento
Não há estacionamento próprio. Serviço de valet terceirizado disponível no endereço: Av Francisco Matarazzo, 809.
Sobre a CASACOR
A CASACOR São Paulo é a mais completa plataforma cultural de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2026 chega à sua 39ª edição em São Paulo, no Parque da Água Branca.
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