Curso “técnico em paisagismo” passa a ser regulamentado pelo CREA-SP
- JOÃO FELIPE CÂNDIDO DA SILVA
Entrevista
Sidnei Harada Engenheiro agrônomo e diretor do IBRAP
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo (Crea), em decisão inédita, decidiu reconhecer o “Curso Técnico em Paisagismo” do Instituto Brasileiro de Paisagismo (IBRAP). “Isto significa que, após o término do curso, os alunos poderão dar entrada para registrar-se no CREA-SP, obtendo assim um número de registro profissional”, afirma o engenheiro agrônomo e diretor do IBRAP Sidnei Harada, que concedeu entrevista a reportagem do Paisagismo em Foco. Confira os principais trechos de nosso bate-papo:
- Fale sobre os benefícios dessa conquista inédita do IBRAP?

IBRAP - primeira escola de paisagismo de SP a ter o seu curso reconhecido pelo CREA
Que eu saiba somente o IBRAP e mais duas escolas de paisagismo (uma em MG e outra no DF) conseguiram esta aprovação até agora. O curso oferecido pelo IBRAP já era regulamentado e aprovado pelo MEC e Secretaria Estadual de Educação de SP, só faltava obtermos o reconhecimento por parte do CREA, que é o maior Conselho de Fiscalização de Exercício Profissional da América Latina e provavelmente um dos maiores do mundo. Em 2007, o IBRAP fez a solicitação junto ao CREA-SP. Durante muito tempo nosso pedido ficou em processo de avaliação e a partir deste ano, os profissionais formados pelo IBRAP, passam a ser registrados no CREA-SP com o título de “Técnico em Paisagismo”. Os paisagistas deverão ser fiscalizados pelo CREA, o que dará maior segurança aos seus clientes e os diferenciará no mercado. Estamos verificando os documentos necessários e os procedimentos que os alunos deverão fazer para registrarem-se no CREA-SP, após a conclusão do curso.
- A profissão de paisagista não é regulamentada por lei aqui no Brasil. Qual é o processo de formação para uma pessoa que queira trabalhar com o paisagismo?

Após o curso, o aluno aprovado pode ainda registrar-se no CREA-SP
Atualmente, arquitetos, engenheiros florestais, agrônomos e muitos outros profissionais formados em outras áreas, trabalham com paisagismo. Não vejo isso de forma pejorativa, já que o setor conta com excelentes profissionais, por exemplo, o Gilberto Elkis, que é formado em administração de empresas e não deixa de ser um dos ícones da profissão. Para que uma pessoa que tenha interesse em trabalhar com o paisagismo, o ideal é procurar uma escola que ofereça uma excelente infraestrutura, além de contar com um ótimo corpo docente, que é o caso do IBRAP, que há muito anos forma profissionais em São Paulo. Nosso objetivo é formar profissionais capacitados a exercer a profissão de técnico em paisagismo, desde o planejamento de um jardim até o gerenciamento de um empreendimento paisagístico. A carga horária é de 1.200 horas, sendo dividida em: 800 horas de aulas teóricas e práticas (são 28 disciplinas divididas em 4 módulos) e 400 horas de estágio supervisionado e atividades complementares durante ou após o término do curso. Em média, todo o processo de formação leva cerca de quatro semestres. Após o curso, o aluno aprovado pode ainda registrar-se no CREA-SP, obtendo habilitação profissional para atuar como Técnico em Paisagismo. É interessante o mercado contar com profissionais formados em técnico em paisagismo, o que fomenta um argumento a mais para que a formação acadêmica possa ser reconhecida.
- Os profissionais que atuam no paisagismo, contam com a representação de duas entidades, a ANP (Associação Nacional de Paisagismo) e a ABAP (Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas), porém, existe um impasse entre essas associações, que divergem quanto a regulamentação da profissão. Qual a sua opinião a respeito disso?

Os paisagistas Burle Marx (a esquerda) e Gilberto Elkis são considerados
ícones do setor, mesmo sem formação específica em paisagismo
Acredito que a maior função de um paisagista, seja a criação de espaços para as áreas externas, em sua maioria. O IBRAP também conta com alunos formados em arquitetura, que buscam especialização no paisagismo. Não tiro a razão da ABAP, que mostra que é a arquitetura quem cria os espaços e o paisagista implanta o projeto. Só que não podemos esquecer, que muitos profissionais renomados, não tiveram formação em arquitetura, como é o caso de Burle Marx ou mesmo do Gilberto Elkis. Os arquitetos têm sim uma excelente formação, porém, precisam ter a complementação de paisagismo. Esses profissionais necessitam adquirir mais conhecimento técnico, em botânica, por exemplo, e outros conceitos. Nenhum curso superior atual prepara um paisagista de forma completa, pois o paisagismo é uma área multidisciplinar. O ideal, em minha opinião, seria unir ambas as associações para que juntas, pudessem lutar pela formação de um curso com nível superior em paisagismo, o que será melhor consequentemente para os profissionais, para os clientes e para o mercado. O setor precisa de uma associação unida e que certifique seus profissionais, numa espécie de exame da OAB, provando quem tem a capacidade de assinar projetos de paisagismo. Essa rivalidade entre a ANP e a ABAP não leva a lugar algum. Para idealizar um projeto paisagístico, o paisagista precisa saber implantar também.
- O mercado de paisagismo está aquecido no Brasil? Quais são as suas expectativas?
Sim. O mercado de paisagismo está atrelado à construção civil e o setor tem apresentado excelentes índices de crescimento aqui no Brasil. Com a economia aquecida, O paisagista e o paisagismo, também têm sido cada vez mais valorizados. As pessoas têm buscado cada vez mais qualidade de vida, que é uma das maiores premissas do paisagismo. O mercado, de uma forma geral, está cada vez mais exigente, por isso, necessita de profissionais que possuam um excelente nível de formação. Ao contratar um profissional, é interessante o cliente procurar saber sobre sua formação, experiência profissional e principalmente as suas referências. Como fazer isso? Simples, basta consultar outros clientes. Você evitará problemas e riscos em seu projeto de paisagismo.
Imagens: divulgação








Quem visitou a feira de negócios Garden Fair – Enflor 2011, realizada na cidade de Holambra (SP), entre os dias 9 e 12 de julho, teve a oportunidade de observar o quanto o mercado de flores e plantas está aquecido aqui no Brasil. Bastava andar um pouco pelos corredores da feira para visualizar as centenas de empresas presentes com o objetivo de mostrar as suas últimas novidades, o que deve ser tendência, além do lançamento de inúmeros produtos, que devem chegar em breve ao mercado. A reportagem do Paisagismo em Foco, esteve no stand do Veiling Holambra, um dos maiores centros de comercialização de flores e plantas ornamentais aqui no Brasil.
O diretor da RBB Eventos e organizador da Garden Fair – Enflor 2011, Renato Opitz, revela com exclusividade a equipe de reportagem do Paisagismo em Foco que em 2011, os quatro dias de feira e o que ele chama de pós-feira (geração de negócios após o término do evento), deve movimentar 12 milhões de reais em negócios. Segundo Opitz, os dois primeiros dias de evento superaram as expectativas, atraindo visitantes de vários Estados brasileiros e de algumas partes do mundo. Para este ano, o mercado nacional de flores e plantas trabalha para ampliar a previsão de crescimento, que deve ficar em torno de 12%. “O mercado - que faturou mais de US$ 3,8 bilhões em 2010 - está aquecido e não é novidade ultrapassarmos inclusive o PIB brasileiro, em termos de crescimento”, ressalta Renato.