Bienal de Arquitetura Brasileira 2026: Um Novo Olhar Sobre o Morar no Brasil
- A redação
A arquitetura como linguagem cultural e a celebração dos biomas brasileiros no coração de São Paulo
A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), que teve sua estreia em 25 de março de 2026 no emblemático Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, propõe uma imersão profunda na relação entre o ser humano e o espaço que habita. O evento, que se estende até 30 de abril, busca reposicionar a arquitetura de um campo estritamente técnico para o território da cultura, do pensamento e do repertório cotidiano, destacando a diversidade do morar nos diferentes biomas do país.

Idealizada pelos fundadores da Archa, Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão, em sociedade com Lucas Aragão e Felipe Zullino, a BAB opera de forma independente e sem fins lucrativos. A iniciativa surge como resposta a um desafio cultural significativo: uma pesquisa Datafolha de 2022, encomendada pelo CAU Brasil, revelou que apenas 9% das reformas no país contam com o acompanhamento de arquitetos. A Bienal, portanto, visa ampliar a presença da arquitetura no imaginário cultural brasileiro e transformar a percepção pública sobre sua relevância.
O Palco da Inovação: Ibirapuera e o Pavilhão Brasil
A escolha do local para a BAB não poderia ser mais simbólica. O Pavilhão das Culturas Brasileiras, projetado por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx, oferece um cenário histórico e arquitetonicamente relevante para a mostra. Dentro deste espaço, o conceito curatorial Pavilhão Brasil se desdobra em pavilhões dedicados aos seis biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal.

Cada pavilhão é assinado por arquitetos e escritórios de diversas regiões do país, que foram selecionados por meio de concursos. Seus projetos interpretam os modos de habitar, as materialidades, os climas e as culturas locais, articulando memória, paisagem e experiência contemporânea. O Masterplan da edição inaugural foi definido por um concurso nacional, vencido pelo Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura, reforçando o caráter aberto e colaborativo do evento.

Entre os destaques dos pavilhões, a Bienal apresenta uma rica tapeçaria de projetos que celebram a diversidade do morar brasileiro. Na Amazônia, o Acre é representado pela Casa Empate Mulheres Seringueiras, de Marlúcia Cândida e Marcelo Rosenbaum. A Caatinga, por sua vez, exibe a Casa do Mastro, da Vida de Vila, no pavilhão da Bahia. No Cerrado, o Distrito Federal contribui com o projeto Moderno no Viver, do Debaixo do Bloco Arquitetura. Para a Mata Atlântica, o Paraná apresenta A Casa que Dança, de Boscardin Corsi. Os Pampas gaúchos são homenageados com a Querência Amada, uma colaboração entre Studio Carbono e Matte Arquitetura. Finalmente, o Pantanal mato-grossense é explorado pelo projeto Loft da Preservação Cuiabana, do escritório OHMA. Esses são apenas alguns exemplos da criatividade e da sensibilidade dos arquitetos em traduzir a essência de cada bioma em espaços habitáveis.
Além da Exposição: Pátio Metrópole e Programação Cultural
Além da área expositiva principal, a BAB apresenta o Pátio Metrópole, um espaço externo concebido como uma cidade experimental. Este pátio abriga instalações construtivas, ativações comerciais e uma vasta programação cultural, incluindo uma Arena de Conteúdo (projetada por Gui Mattos com a Zait), café (André Henning para Copa Energia), restaurantes (BIOMAS por Carlos Rayol), workshops e ações educativas.

A Vila BAB no Pátio Metrópole reúne casas assinadas, como a Casa Leve (H2C), a Casa Superlimão (Superlimão) e a Casa Vida de Vila. O Boteco Suvinil, assinado por Nicole Tomazi e Sergio Cabral, promete ser um dos pontos mais vibrantes do evento. Uma parte da área externa é de entrada gratuita, com praça e palco para ativações culturais abertas ao público, democratizando o acesso à experiência da Bienal.
Informações para Visitação
A Bienal de Arquitetura Brasileira está aberta ao público de 25 de março a 30 de abril de 2026, funcionando diariamente das 12h às 21h. Os ingressos custam R$ 80 durante a semana e R$ 100 nos finais de semana (inteira), e são vendidos exclusivamente pelo site oficial do evento. A entrada recomendada é pelo Portão 03, na Avenida Pedro Álvares Cabral.
A BAB se consolida como uma plataforma de mediação cultural, educação e experiência, afirmando a arquitetura como uma linguagem viva, acessível e intrinsecamente ligada à vida cotidiana dos brasileiros. É um convite para que o público explore e compreenda a riqueza e a diversidade do morar no Brasil, celebrando a criatividade e a inovação da arquitetura nacional.
Mais informações:
www.bienaldearquiteturabrasileira.com

