Paisagismo e Arquitetura: um diálogo necessário

Paisagismo e Arquitetura: um diálogo necessário


Para o leitor que vem acompanhando os últimos textos, este tema pode parecer repetitivo; porém, a meu ver, é necessário conversarmos cada vez mais sobre esse tema. Por isso, tentarei abordar outras perspectivas, para ampliar o diálogo sobre esta questão.

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Créditos: Acervo pessoal – São Paulo – SP

Observando dezenas de lançamentos de empreendimentos em São Paulo, nota-se ser ainda muito incipiente a inserção do paisagismo nos novos projetos de incorporação. As incorporadoras, visando reduzir os custos de construção, preveem pequenos espaços para as plantas, geralmente para cumprir o que está previsto em lei. Sendo que muitas construtoras, inclusive, quando não há exigência legal, desconsideram o plantio de árvores e plantas, pois ao utilizarem os chamados “projetos de gaveta”, acabam reutilizando plantas que não preveem o plantio de jardins nas áreas comuns e o uso de jardineiras nas fachadas e nas áreas internas dos apartamentos.

Agrava-se esta condição pelo fato de que um percentual significativo dos lançamentos nos últimos anos, pelo menos na cidade de São Paulo, está vinculado aos projetos que oferecem apartamentos-estúdio, notando-se que o uso do paisagismo nestes projetos é praticamente nulo.

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Créditos: Acervo pessoal – Vista de Pinheiros – São Paulo - SP

Sem percebermos, milhares de edifícios estão sendo construídos anualmente, aumentando a retenção do calor e criando as já citadas (em outros textos) ilhas de calor. Considerando que este processo está em curso, e de forma acelerada, a tendência, se nada mudar, é de que os espaços urbanos ficarão cada vez mais inóspitos, exigindo uma série de medidas (de contenção) para reduzir os impactos (por exemplo, o crescente uso de aparelhos de ar-condicionado).

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Créditos: Acervo pessoal – Casa Cor SP 2018

O paisagismo faz uma grande diferença no espaço em que vivemos. Ele é vital. Traz frescor, ritmo, cores aos ambientes.

Aumentar as áreas verdes em nossas cidades e casas não é uma questão ideológica. É uma necessidade. Sei que você, leitor, pode estar pensando: “ela está dizendo isso, porque é uma paisagista”. E essa é uma questão que você deve questionar mesmo, pois o teor do texto acaba tendo um certo viés. No entanto, destaco que este texto vai além da minha profissão.

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Créditos: Freestockcenter no Freepik

Muito se diz sobre sustentabilidade, porém, não notamos que a ideia de progresso e de crescimento a todo custo está destruindo o meio no qual vivemos e do qual fazemos parte. O trabalho da arquitetura e do paisagismo nas cidades faz uma grande diferença quando atuam em conjunto, em harmonia. Um lote, que tem um espaço pequeno de vegetação, pode se transformar num edifício com varandas arborizadas, onde abrigará seres humanos (nós), como também os pássaros, insetos e plantas, auxiliando na manutenção (e expansão) da complexidade das relações entre os seres vivos (incluindo o planeta, Gaia).

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Créditos: Acervo pessoal – Visita guiada Vilanova Artigas – São Paulo – SP

O paisagismo e a arquitetura trabalham muito bem juntos. Uma área está ligada à outra, de maneira transdisciplinar. Quando não prevemos jardins para os edifícios ou decoramos uma casa sem plantas, sente-se a falta de um aconchego que somente a natureza traz (o abraço que sentimos ao estar em contato com a natureza numa praça, ou mesmo caminhando numa rua arborizada, é insubstituível). Ela traz um conforto térmico, acalmando a nossa mente e desacelerando o ritmo frenético que imprimimos em nossas vidas.

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Créditos: Acervo pessoal – Visita Rosewood – São Paulo – SP

Uma cidade que cresce em harmonia com a natureza terá benefícios a curto, médio e longo prazo.

Enquanto trabalharmos separados da natureza, não conseguiremos conter as ilhas de calor que a cada ano crescem nas grandes cidades. Como queremos viver em cidades grandes, temos que ter a inteligência de trabalhar junto com a natureza, construindo cidades responsivas, com mais áreas verdes (praças), calçadas com distribuição e árvores conforme orientação de plantio de árvores em calçadas (a cada 4, 6 e 8 metros entre elas).

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Créditos: Acervo pessoal – Parque Ibirapuera – São Paulo – SP

Natureza é vida. Somos partes integrantes dela. Plantemos vida!