O Jardim está logo ali !

A vida nas grandes cidades não é exatamente fácil. Nem sempre se pode circular com prazer pelas ruas. Essa dificuldade está reforçando uma tendência que começou a se esboçar no fim da década passada: o encasulamento. Chamo de encasulamento a vontade de as pessoas ficarem em casa. Elas querem estar perto da família, querem receber os amigos, querem fazer programas culturais – tudo com o menor número possível de deslocamentos. É aí que a casa entra como um ninho, um lugar de aconchego, em que é possível fazer tudo isso de uma maneira mais agradável. Quem, afinal, não acha que sua casa é seu templo?

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A tecnologia também tem ajudado nesse processo: com as enormes televisões de plasma e os infinitos canais de TV a cabo, o lazer está sempre à mão. Mas, por outro lado, o acesso constante à tecnologia – como os e-mails do trabalho que não param de chegar – pode levar ao estresse. E não há antídoto melhor para isso que a natureza. Por isso, as áreas verdes dentro de condomínios residenciais nunca foram tão valorizadas como hoje. É fundamental poder morar num lugar onde a vegetação esteja presente de maneira significativa – assim como é importante que as pessoas comecem, de fato, a curtir as plantas.

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Elas, quando notadas, nos retribuem com um carinho imenso. Pode parecer piegas, mas as plantas, junto dos outros elementos presentes nas áreas de lazer – como a água, a terra, o ar e o fogo (em tochas ou praças da fogueira) -, transformam uma caminhada pelo condomínio num verdadeiro passeio sensorial. É legal observar também que todos esses elementos estão unidos pelo tempo. Aquele jardim não estará do mesmo jeito sempre: vai ficar maior, vai colorir na primavera. Porque, diferente da arquitetura, que termina quando o prédio está pronto, o jardim não acaba nunca.

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Arquiteto Paisagista